terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Mensagem de Apresentação

Caros camaradas da C.Caç. 758 :

Há 44 anos, no já longínquo 18 de Janeiro de 1965, aportou a Luanda o Paquete Vera Cruz, que naquela viagem levava para Angola a C.Caç. 758 e outras Unidades, ao todo mais de dois mil militares, ainda mal refeitos das últimas emoções do processo de mobilização, o pensamento ainda e sempre lá longe, na terrinha, na família, na última dança, no último afago, no último beijo... revivendo o navio a afastar-se do cais, o nó na garganta, os lenços a acenar, os silêncios, os rostos carregados ...

Unidos pela esperança de fazer mais tarde o caminho de regresso sem beliscaduras, sabendo de antemão que, a acreditar nas estatísticas, essa sorte não estava reservada a todos ...

Foi uma viagem normalíssima mas "agitada"; quem não enjoou, nem sabe do que se livrou !

O entretenimento a bordo foi o "possível": as amenas cavaqueiras, as animadas discussões, os peixes voadores, os tubarões, outros barcos ou a linha de costa ao longe, uma ou outra cerveja, nos bares, jogar cartas, ver cinema ou variedades, formatura no deck "para tomar ar", treino com coletes de salvamento, jogos de exterior, a passagem do Equador, o ritual da mensagem na garrafinha, a orquestra a tocar temas em voga... (E mulheres? poucas! - da tripulação ou familiares de oficiais; mas quem se interessava, dadas as circunstâncias ? ...).

A vida a bordo foi portanto variada, procurando os comandantes do navio e das tropas ter o pessoal ocupado e em movimento para manter a forma, pôr o moral lá em cima e prevenir estados depressivos, tarefa agravada pela deficiente habitabilidade dos pisos inferiores, com calor a mais e cheiro a vomitado, um atentado aos estômagos mais fracos...

Depois, já em terra, a continuação da história que todos conhecemos: O Grafanil, os Mosquitos, o Songo, as "Psícolas", a Serra do Uíge, a Sanzala, as Operações, o King, a Lerpa, depois o RIL, a Intervenção, os Cabarés, as Cucas, as Nocais, a Praia, ... o Espólio e...o regresso a casa...

Continuam hoje presentes na nossa memória as emoções e acontecimentos vividos pela C.Caç. 758 nos 26 meses de comissão, até Março de 1967, nas operações militares, nas acções de apoio às populações, e na vivência do quotidiano interno da Companhia e de cada um dos seus elementos.

Regressados ao "puto", cada um por si, houve que voltar aos afectos, aos estudos, ao trabalho ... e (re)construir o futuro: procurar o melhor emprego (ou o emprego possível), casar e ter filhos (ou não...), contar com vitórias e desenganos, e aí vamos nós !

Algumas dessas histórias merecem certamente ser contadas e documentadas para a posteridade!

Inúmeros documentos que não podem ficar parados à espera de ser esquecidos, e que este Blog vai tentar reunir, para consulta pública, restrita à nossa Companhia. Apelamos portanto, no sentido de contribuirem com os vossos documentos, fotos e testemunhos, enriquecendo a nossa memória colectiva.

Bem hajam. Viva a 758 !
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2 comentários:

Antonio Ferreira de Almeida disse...

Como posso constatar o teu esforço não teve seguimento por parte de mais ninguem. Como diz uma amiga minha "as pessoas estão disponiveis para um almoço por ano e pouco mais. Não lhes interessa partilhar a sus vida e não devemos estranhar tal postura".Talvez que o nosso "meio ambiente" seja mais propicio para a manutenção de um blogue. Veremos. Um abraço para ti e para todos os ex-camaradas da c.caç. 758

J.R. disse...

Pois é, António !
O pessoal da 758 é como o das outras: pouco informatizado e pouco "blogueiro"! Além disso, já passaram mais de 40 anos, e agora, só se forem os netos a ajudar ! (alguns até já se disponibilizaram, no ano passado, o único em que estive).
Vamos a ver. No próximo convívio, vou dar mais umas achegas...